Parque Natural do Douro Internacional

Caracterização do Parque Natural do Douro Internacional
Localização
O Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) foi criado através do Decreto Regulamentar 8/98 de 11 de Maio com o objectivo de conservar o património natural promovendo ao mesmo tempo a melhoria da qualidade de vida das populações locais em harmonia com a conservação da natureza.
O PNDI, ocupa uma área de 85 150 há e abrange o troço fronteiriço do Rio Douro (numa extensão de cerca de 1222 Km), incluindo o seu vale e superfícies planálticas confinantes, e prolonga-se para sul através do vale do Rio Águeda. Está localizado nas regiões de Trás-os-Montes e Alto-Douro e da Beira Alta, abrangendo os concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, e Figueira de Castelo Rodrigo no distrito da Guarda.
O troço internacional do rio Douro faz a transição, através de um acentuado declive longitudinal (com um desnível de cerca de 400 metros), entre a sua bacia média, nos vastos horizontes da meseta Ibérica, e a bacia inferior, já em território nacional. A parte norte do PNDI corresponde à zona de menor influência atlântica de Trás-os-Montes, sendo constituída por um extenso planalto, com altitudes cujas cotas variam entre os 700 e 800 metros. O vale é bastante encaixado com encostas escarpadas essencialmente graníticas. À medida que se avança para Sul o vale apresenta-se mais aberto, com fundos de vales aplanados, permanecendo as vertentes escarpadas tal como as pequenas áreas planálticas e os relevos residuais encimados por quartzitos.

Relevo
  O Parque Natural do Douro Internacional é constituído por duas zonas planálticas, uma a norte com altitudes rondando os 700-800 metros e outra a sul com altitudes rondando os 600-700 metros. Nestas duas zonas essencialmente graníticas, quer o rio Douro quer o rio Águeda escavaram vales muito profundos, encaixados, com encostas escarpadas que por vezes ultrapassam os 200 metros de altura, formando dois desfiladeiros monumentais de grande beleza e espectacularidade. 
A zona intermédia do Parque é constituída por pequenas zonas planálticas intercaladas por vales de ribeiras que correm para o rio Douro e por relevos residuais encimados por quartzitos. Nesta zona essencialmente xistosa, o vale do rio Douro apresenta-se mais aberto.
A maior altitude do Parque é de 895 metros na Nossa Senhora da Luz, na fronteira norte com Espanha, e a mínima é de 125 metros, quando o Douro sai do Parque Natural.
Clima
O clima da região pode definir-se como mediterrâneo-subcontinental, de acentuadas amplitudes térmicas, com invernos frios mas estios muito quentes e secos. A parte Norte do PNDI corresponde à zona de menor influência atlântica de Trás-os-Montes, inserindo-se já na Terra Fria Transmontana. A parte sul. Onde o vale já se assemelha ao “Douro vinhateiro”, caracteriza-se pelo seu microclima, com escassa precipitação e amenas temperaturas invernais, fazendo parte da designada Terra Quente Transmontana.
A diversidade e variabilidade das condições ecológicas do território integrado no PNDI, possibilitou o desenvolvimento e estabilização de um coberto vegetal extremamente rico e diversificado.
A existência dos planaltos de Miranda do Douro e de Figueira de Castelo Rodrigo a altitudes de 700 a 800 metros, frios e ventosos, contrasta com os vale apertadamente escavados do rio Douro e seus afluentes, mais térmicos e abrigados. Verifica-se uma grande variação de altitude que desce abruptamente dos 898 metros, no santuário da Senhora da Luz na freguesia de Constantim (Miranda do Douro) para os 125 metros em Barca d’ Alva, junto à foz do rio Àgueda, o que condiciona uma zonação marcada e particularmente interessante da flora e vegetação deste território.

Flora

 

Os estudos realizados até ao momento, nesta área, vieram a concluir que a maior parte dos elementos florísticos, mais importantes, estão localizados no leito de cheias do rio Douro ou na sua proximidade. Muitas destas plantas têm a totalidade ou a grande parte das suas populações portuguesas neste território de que são exemplos: Antirrhinum lopesianum (espécie rupícola considerada como em edemismo lusitano-duriense e classificada como uma planta rara (R)), Aphyllanthes monspeliensis (uma liliácea típica das terras de Miranda do Douro, também classificada como R), Coronilla minima subsp. minima (instalada nas margens do rio Douro, no seu percurso internacional), Lathyrus setifolius, Linaria coutinhoi (endemismo lusitano-duriense), Malcolmia triloba subsp. patula (característica de zonas arenosas), Narcissus jonquilla, Nigella gallica, Rumex roseus, Scrophularia valdesii (endemismo ainda não colectado em Portugal mas presente nas arribas espanholas do rio Douro), Silene boryi, Silene conica, Trigonella polyceratia var. amandiana (endemismo lusitano-duriense), Valerianella enchinata, Vicia villosa subsp. ambigua e Salix purpurea (com distribuição geográfica, no nosso país, exclusiva do rio Douro e até ao momento só colectado dentro dos limites do PNDI).
A flora do PNDI contem ainda numerosas espécies termófilas em populações disjuntas, como são exemplo: a Cosentinia vellea, o Asparagus aphyllus, o Asparagus albus. Estas plantas beneficiam da termicidade e do baixo risco de geadas da porção mais térmica do PNDI.

 

Informação recolhida de folhetos de divulgação e promoção do Parque Natural do Douro Internacional. Pode encontrar mais informação aqui.