| Bragança é uma cidade antiquíssima. Na época dos romanos, era povoação muito importante e no tempo dos godos e dos reis de Leão mantinha real valor. Para atestar estes factos estão os achados arqueológicos que têm sido encontrados nas proximidades de Bragança. Os anos passaram... Surgiram alternativas de prosperidade e de decadência, em consequência das permanentes lutas entre cristãos e árabes, que a saquearam, chegando a arrasá-la, arruinando-a e despovoando-a. Para além de várias lendas inverosímeis sobre as origens do povoado, ainda há bem pouco tempo se dava crédito a alguns documentos (Séc. IX e X), onde surge o topónimo Bragança designando ora uma região, ora uma localidade - “Vargancia”, “Bregancia”. No entanto, segundo Augusto Quintana Prieto, tais documentos foram falsificados no bispado de Astorga em pleno século XII. Desde os primórdios do século XII, Bragança, que já existia como localidade (a acreditar na tradição), teria sido cenário das lutas da Reconquista entre Cristãos e Mouros. Relativamente à etimologia de Bragança na época luso-romana devia ter sido “Brigantia”, para céltica. Nos séculos X a XII aparece com o nome de “Bregança”. Em 1130, D. Fernão Mendes, intrépido guerreiro e cunhado de D. Afonso Henriques, tê-la-ia reedificado no lugar de Benquerença, propriedade dos frades beneditinos do poderoso mosteiro do Castro de Avelãs. Portanto, sabe-se ao certo que a sua actual localização remonta a finais do século XII e que D. Sancho lhe dá foral em 1187 (“Bragancia” e “Bragantia”). Mais tarde recebe, ainda, forais de D. Afonso III (“Bragancia” e “Blagrancia”) e de D. Manuel. As muralhas, já parcialmente edificadas no tempo de D. Afonso III, teriam sido completadas no reinado de D. Fernando. A construção do primeiro castelo inicia-se com D. Dinis, nos finais do século XIII (“Bragancia”, Blagrancia” e “Bragansea”). O castelo, com a sua imponente e original Torre de Menagem e a sua singela e enigmática Domus, começou a ser construído nos primeiros anos do século XV (“Bragança” e “Braguança”). Por alvará de 20 de Fevereiro de 1464, reinava então D. Afonso V, a pedido de D. Fernando (2º Duque de Bragança), é-lhe concedido o foro de cidade. Embora não reunisse a condição essencial de ser sede de bispado, os duques de Bragança conseguiram a sua promoção a cidade. Em 11 de Novembro de 1514, em Lisboa, D. Manuel deu-lhe foral. É de salientar, ainda, que a transferência da sede do bispado de Miranda para Bragança se deu depois de 1764. |
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| Parque Natural de Montesinho, Serra de Nogueira, Miradouro de S. Bartolomeu, Rio de Onor e Guadramil (aldeias comunitárias). Pontes Românicas. |
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A Cidadela Actualmente, a cidadela de Bragança, vulgarmente chamada de vila, é um singularíssimo núcleo murado e acastelado, edificado no séc. XII no lugar de Benquerença. É uma fortaleza de raízes Afonsinas, reconstruída e reforçada por D. João I em finais do séc. XIV, onde será de admirar a Torre de Menagem, a Torre da Princesa e ainda dentro das muralhas a Dómus Municipalis, a Igreja de Santa Maria e o Pelourinho. No lado sul, existem mais três torres, uma delas nomeada Poço do Rei. Torre de Menagem Dentre os Monumentos Nacionais do país, o castelo de Bragança ocupa lugar de merecido e destacado valor, nomeadamente através da sua Torre de Menagem, uma das mais belas do país. Foi este mandado construir por D. João I, por volta de 1409, durando a sua construção mais de 30 anos, abrangendo, em parte os reinados de D. João I, D. Duarte e D. Afonso V. A Torre de Menagem é o melhor exemplar Gótico em Trás-os-Montes com reminiscências de certos castelos ingleses de igual período. Destacam-se, pela sua elegância, as ameias, janelas em ogiva de lanceta, seteiras, canhoeiras, bombardeiras e, na base, as siglas dos canteiros. Esta Torre ostenta, ainda, o escudo de D. João I, a meia altura do lado sul e uma janela ogival radiante, dividida por pinázio e ornada por trifólios e quadrifólios. O escudo contém as armas do reino, assentando sobre a cruz de Aviz e as janelas, principalmente as que olham para sul e nascente, são de lavor artístico. Correspondente à porta que fica a meio da face norte há uma balesteira, besteira ou machicoulis. Balesteira é uma espécie de varanda de granito com seteiras verticais que impediam que o atacante se aproximasse. Actualmente, a Torre de Menagem alberga o Museu Militar. Torre da Princesa A Torre da Princesa ergue-se no recinto do Castelo, marginando as muralhas da velha fortaleza, e, por não se saber a origem da sua denominação, tem dado aso a muitas lendas. Uma delas diz que o duque de Bragança, D. Jaime, encerrou a linda Leonor, aquela que depois mandará matar com requintes de barbaridade, no castelo de Vila Viçosa. Outra lenda remonta aos tempos dos descendentes de D. Fernão, o Bravo, que deu em casamento ao Conquistador sua irmã, D. Sancha, princesa que viveu e sofreu nesta torre um amor mal interpretado pelo seu marido. Outra ainda, diz respeito à filha do alcaide-mor, João Afonso Pimentel, cunhado da rainha D. Leonor Teles, de nome D. Brites, alma pura e cândida, de grande beleza, que segundo reza a lenda, encantava e enfeitiçava quem via e a quem seu marido assassinara injustamente. Esta morte trágica impressionou a população que mostrava por ela grande amor e carinho, e daí, o espírito e fantasia da gente do tempo, pintaram ou teceram em redor de um acontecimento tão cruel, uma poética narrativa. Sabe-se que não tinha fins militares mas que era unicamente uma dependência da casa dos governadores ou alcaides. Dómus Municipalis Exemplar único na Península Ibérica da arquitectura românica civil do séc. XV, foi fundamentalmente um espaçoso reservatório de água e no século XVI, converteu-se no lugar de reunião dos homens bons do concelho. Este monumento civil, jóia única na Península Ibérica, acha-se restaurado na sua traça primitiva desde 23-X-932. Todo o rés-do-chão é ocupado por uma cisterna em que se recolhem as águas fluviais do telhado, conduzidas por aljarozes disfarçados na grossura das paredes. Serve-lhes de cobertura uma abóbada de granito a servir de sobrado à única sala que ocupa todo o edifício. Em volta de toda a sala há assentos de granito saídos das paredes. A cornija assenta sobre cinquenta e três modilhões internos e sessenta e quatro externos historiados e oito arcaturas fenestradas, dispostas numa só fila contínua pelos cinco lados do monumento, que fornecem luz para o interior. Igreja de Santa Maria Templo de obscura origem românica, inteiramente reconstruído no séc. XVIII. Possui portal barroco flanqueado por duas colunas salomónicas ornadas com folhas de vides e cachos. A construção destas curiosas e muito interessantes colunas é posterior à data da construção deste templo. No corpo do templo há quatro altares e duas capelas, sendo uma de invocação a Nossa Senhora dos Prazeres, pertencente à família Figueiredo. O interior apresenta uma interessante pintura do séc. XVIII. Pelourinho O pelourinho consta de um escadório poligonal com 4 degraus de granito, na plataforma do qual assenta um quadrúpede vulgarmente chamado de “Porca da Vila” e ao qual furaram o dorso para nele enxertarem uma coluna cilíndrica de granito com 6,40 metros de altura e 0,30 metros de diâmetro. Os pelourinhos são medievais, enquanto que os quadrúpedes remontam à pré-história, pelo que será difícil datar este exemplar arquitectónico. Na cabeça do referido quadrúpede (que representa um berrão) existe uma concavidade que, segundo canta a lenda, servia para fazer justiça a condenados (a cabeça do condenado na concavidade seria esmagada com um maço de grande peso). O Capitel é uma pedra discóide achatada, donde saem 4 braços em forma de cruz grega, que rematam por quatro carrancas, havendo no intervalo destes braços várias figuras humanas. Neste granito grosseiro parecem estar representadas cenas de castigo. Aparecem, ainda, representados uma ave, um cão e ornatos florais. No cimo da cruz aparece um escudo divido em pala, tendo na esquerda um castelo e na direita as quinas. Este escudo é segurado por uma figura com cara humana que remata o monumento. |
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| É rica e variada sendo famosos os enchidos da região (alheiras, salpicões) e o presunto. Também os folares da Páscoa são uma especialidade. Os vinhos regionais completam satisfatoriamente a riqueza gastronómica com destaque para o «cozido à transmontana», «o cabrito branco de montesinho», a famosa «Posta à Mirandesa» e o Butelo com cascas. |
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Cestaria - a cestaria é um dos elementos da nossa cultura popular e apesar de não existir grande variedade de modelos, o artesanato ainda se mantém vivo. Este artesanato processa-se onde se encontre facilmente o material necessário: vimes, choupos, vergas, salgueiros, talas de castanho bravo que são cortadas em verde ou mesmo palha e silva. Tecelagem - Este tipo de artesanato tem subsistido e quase só pela força da tradição se mantém e sobrevive. As matérias-primas utilizadas nesta região são: a seda, o linho, a lã e o algodão. Trabalhos em Cobre - Em Bragança ainda há quem manufacture peças de cobre - os chamados caldeireiros, que manufacturam caldeiras e alambiques, para além de outros objectos decorativos. Olaria - Os produtos desta “indústria” remontam à configuração dos tipos clássicos romanos. Além dos alguidares, cântaros, canecas, jarros, bilhas, púcaros e várias outras vasilhas, fabricam-se outros artefactos microcerâmicos interessantes pela variedade de formas, de carácter etnográfico, vindos da antiguidade. Salientam-se as famosas cantarinhas que aparecem na “Feira das Cantarinhas” que se realiza a 3 de Maio em Bragança. Couros e Buréis |
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| Nossa Senhora das Graças (12 a 22 de Agosto), S. Bartolomeu (24 de Agosto), Nossa Senhora da Serra (8 de Setembro), Nossa Senhora da Ribeira (Último Domingo de Maio), Santa Cruz (3 de Maio), Feira das Cantarinhas (3 de Maio), e as festas tradicionais do Inverno (Festas dos Rapazes). |
| Museu do Abade de Baçal – Arte, arqueologia e etnografia. Museu Militar situado na Torre de Menagem (Castelo). | |
| Jardim público de Fernão o Bravo, junto à entrada da Cidadela, Jardim Dr. Ant. José de Almeida, Av. João da Cruz, Av. Cidade de Zamora, Av. Abade Baçal, Praça Cavaleiro de Ferreira e Parque Eixo Atlântico. |