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No extremo Noroeste português limitado a Norte, Oeste e Este por Espanha e a Sul por uma linha imaginária, que se estende de Sandim a Quintanilha, passando por Vinhais e Bragança fica definido o espaço do Parque Natural de Montesinho.
Carvalhais e castinçais alternando com lameiros, campos de cultura e aldeias características são o traço essencial deste Parque.
Símbolo
Ouriços do Castanheiro (Castanea sativa).
A área das serras de Montesinho e Coroa foi escolhida para Parque
Natural por reunir condições em que é visível a integração harmoniosa do homem
com o meio ambiente.
Parque Natural de Montesinho foi criado em 30 de Agosto de 1979, segundo o Decreto-Lei
355/79, sendo uma das maiores áreas protegidas de Portugal.
Com uma superfície de 74 230 hectares, inclui cerca de 9.000 habitantes distribuídos
por 92 aldeias. É constituído por uma sucessão de elevações arredondadas e vales
profundamente encaixados, com altitudes variando entre os 438 m e os 1481 m
onde as aldeias, aninhadas em pontos abrigados e discretos, passam facilmente
despercebidas aos olhos do visitante ocasional.
O Parque natural de Montesinho é constituído por três unidades paisagísticas
principais:
1. Uma zona central definida e limitada pelas serras de Montesinho, Coroa e
Nogueira;
2. A Lomba.
3. A Lombada.
A Oeste localiza-se a Lomba e a Este situa-se a Lombada, dois planaltos mais
ou menos corroídos pela Hidrologia, que se enquadram no aspecto mais ou menos
árido do Este Transmontano. Entre essas duas zonas existe uma outra central,
mais fresca e arborizada definida pelas serras de Montesinho, Coroa e Nogueira.
Região povoada desde há milénios, conserva vestígios arqueológicos em muitas
das suas aldeias. Algumas, possuem ainda nas toponímias antigos nomes de fortificações
castrejas; outras, antigas propriedades rurais, exibem nomes pessoais de origem
germânica (Quirás, Fresulfe, Sernande, Guadramil), atribuídos pelos colonizadores
visigodos, que conservavam o costume romano de dar às “villas” o nome do “dominus”,
ou proprietário. Após a queda do império visigodo e a formação da nacionalidade,
uma das primeiras preocupações dos soberanos foi povoar o reino, através da
distribuição de terras a fidalgos e à igreja, e da criação dum sistema de “forais”
colectivos, já que as rudes condições geográficas e sociais desses tempos exigiam
que toda a organização do espaço dependesse da vida em grupo. Ainda hoje, as
estruturas económicas e sociais das aldeias conservam hábitos comunitários.
A justificação da criação do Parque Natural de Montesinho pode fazer-se segundo
as seguintes componentes: Geologia, Hidrologia, Fitossociologia, Fauna, Ecologia,
Paisagem, Espeleogologia, Arqueologia, Arquitectura Popular, profana e religiosa,
Artesanato, Costumes característicos, Crenças, Festas religiosas e profanas,
Gastronomia Regional, Turismo e Recreio.
Especial referência à riqueza botânica e faunística que a individualizam como
a área onde é possível desfrutar dos extensos carvalhais e soutos de castanheiros
ou, se preferirmos, uma “natureza menos domada pelo homem”.
Os xistos são as rochas dominantes mas podem ainda ser encontrados granitos,
rochas ultra-básicas e muito localizadamente calcários.
O que dá a este Parque características únicas no nosso país é precisamente a
forma como ao longo dos séculos as populações souberam integrar-se harmoniosamente
na paisagem, apesar das peculiaridades geoclimáticas.
Sob o ponto de vista climático o Parque Natural de Montesinho insere-se numa região mais vasta de clima sensivelmente homogéneo, a Terra Fria Transmontana. A esta região, caracterizada por Invernos longos e frios e Verões curtos e quentes, a sabedoria popular atribui, através dum ditado, “nove meses de Inverno e três meses de inferno”.
Na área do Parque, a temperatura média oscila entre valores de 3 a 5 ºC no mês mais frio e entre 20 a 21 ºC no mês mais quente. A temperatura média anual é superior na parte Este do Parque mas diminui com a altitude.
A pluviosidade é elevada e, de um modo geral, é maior na parte Oeste do Parque e na Serra de Montesinho. As quedas de neve são frequentes entre Dezembro e Março, podendo registar-se, nas zonas altas, 40 a 50 dias com precipitação de neve por ano. Nas restantes áreas neva em média 10 a 20 dias por ano. Evidenciando as variações do solo e do clima, a paisagem, sempre verde na parte Oeste e Central, torna-se mais agreste na parte Oriental, onde a pluviosidade é mais escassa.
O Parque Natural de Montesinho fica situado no extremo nordeste de Portugal Continental, na região de Alto Trás-os-Montes, no distrito de Bragança. O Parque é limitado a Sul, grosseiramente, por uma linha que liga Bragança e Vinhais; e a Oeste, Norte e Leste pela fronteira com Espanha. Esta fronteira pode ser atravessada por estrada através dos postos fronteiriços da Moimenta, do Portelo ou de Quintanilha, ou a pé, se visitar a aldeia de Rio de Onor, por cujo interior passa a linha de fronteira.
Qualquer visitante que percorra o Parque Natural de Montesinho,
rapidamente se apercebe da enorme diversidade da sua vegetação. No revestimento
vegetal destacam-se os seculares carvalhais, sardoais e soutos que juntamente
com os pinheiros, freixos, vidoeiros, cerejeiras e outras espécies arbóreas
autóctones, representam a riqueza dos espaços florestais no seu colorido e frescura,
com que nos gratificam em cada época do ano. Em percursos de poucos quilómetros
encontram-se sardoais, carvalhais, bosques ripícolas, giestais, urzais, estevais,
lameiros, etc. Não é preciso conhecer as plantas para reparar que cada um destes
tipos de vegetação tem a sua flora característica.
A vegetação no Parque varia acentuadamente de sul para norte em estreita dependência
da orografia e das variações climáticas. De sul para norte aumentam as altitudes,
as temperaturas médias anuais são mais baixas e há um marcado aumento da precipitação.
Nas áreas menos elevadas, nos vales que sulcam o Parque a sul, encontram-se
comunidades de plantas adaptadas à secura, como sejam os matos de estevas e
de sardoais. Estas comunidades são substituídas com a altitude, respectivamente,
pelos carvalhais e matos de urze e carqueja.
Nos sardoais a árvore dominante é o sardão ou azinheira (Quercus rotundifolia).
Com menor abundância aparece também o carvalho cerquinho (Quercus faginea).
Pelo corte das árvores e pelo fogo associados à agricultura e à pastorícia,
os sardoais foram em grande parte substituídos por matos. Nestes matos os arbustos
mais comuns são a esteva (Cistus ladanifer), a arçã (Lavandula stoechas ssp.
sampaiana) e o sal puro (Thymus mastichina). Os sardoais são muito sensíveis
à intervenção humana mas no Parque encontram-se ainda comunidades deste tipo
bem conservadas como acontece nos vales dos rios Maçãs, Sabor, Baçal e Assureira.
Nos carvalhais, o carvalho pardo ou negral (Quercus pyrenaica) é a árvore dominante.
A maior parte dos carvalhais foram nos últimos séculos substituídos por campos
de cultura, soutos de castanheiros e, mais recentemente, por arborizações, nem
sempre bem sucedidas, de pinheiro bravo (Pinus pinaster), pinheiro negro (Pinus
nigra ssp. laricio) e pinheiro silvestre (Pinus sylvestris).
Nas zonas mais desfavoráveis à agricultura encontram-se grandes áreas de matos
onde dominam arbustos como as urzes (Erica australis e Erica umbellata), a carqueja
(Chamaespartium tridentatum) e o sargaço (Halimium allyssoides). As áreas mais
extensas de carvalhal no Parque Natural de Montesinho encontram-se na região
compreendida entre os rios Sabor e Tuela.
Os giestais desenvolvem-se normalmente sobre solos fundos, bem desenvolvidos,
muitas vezes em clareiras ou na orla dos carvalhais e sardoais. Nas zonas mais
elevadas do Parque os giestais são dominados pela giesta piorneira (Genista
florida L. ssp. polygaliphylla) enquanto que a menores altitudes são mais comuns
a giesta das vassouras (Cytisus scoparius) e a giesta negral (Cytisus striatus).
Todas estas espécies têm flor amarela, encontrando-se a giesta de flor branca
(Cytisus multiflorus) em habitats mais degradados.
Os bosques ripícolas são as formações arbóreas que se encontram ao longo dos
rios e ribeiros. Têm uma enorme importância na conservação das margens dos rios.
Por vezes, são utilizados como fonte de lenha e mesmo de alimento para o gado
no Verão. As árvores mais comuns ao longo das linhas de água do Parque são o
amieiro (Alnus glutinosa), o freixo (Fraxinus angustifolia), o choupo negro
(Populus nigra) e os salgueiros (Salix atrocinerea e Salix salvifolia).
Os lameiros são prados naturais permanentes, utilizados na produção de feno
e para o pastoreio de gado bovino, que por sua vez participa na manutenção da
fertilidade do solo através da estrumação directa.
Os lameiros estão também associados a sistemas de rega. Os lameiros de regadio
encontram-se dispostos ao longo das linhas de água, o que permite a sua rega
durante todo ou parte do ano. Este sistema, designado de rega de “lima”, destina-se
a atenuar os efeitos nocivos das geadas. Os lameiros de secadal apenas recebem
as águas das chuvas. Em ambos os casos, a água é conduzida através de um sistema
de regos. Os lameiros são um exemplo de um aproveitamento sustentado dos recursos
naturais. Uma vez abandonados, são rapidamente colonizados por plantas arbustivas.
Perante esta enorme diversidade de vegetação, cumpre aos utentes do Parque lutar
pela conservação desta paisagem tão variada e rica. Especial atenção deve ser
dada às comunidades vegetais mais sensíveis à intervenção humana, como acontece
com os carvalhais e sardoais.
Existe no Parque Natural de Montesinho uma flora muito variada,
devido à sua localização geográfica e à grande variabilidade geológica e climática
que caracteriza o Nordeste de Portugal.
Nas altitudes mais elevadas do Parque, encontram-se numerosas espécies de plantas
próprias de regiões de clima atlântico, como sejam o Noroeste da Península Ibérica
e a Europa ocidental. Entre estas plantas citam-se a urze Erica cinerea e a
gramínea Agrostis curtisii.
Nas áreas de clima mais quente e com uma estação seca mais acentuada, o que
corresponde às zonas de menor altitude do Parque, surgem plantas tipicamente
mediterrâneas como o trovisco (Daphne gnidium), a esteva (Cistus ladanifer),
o sanganho (Cistus salvifolius) e a gilbardeira (Ruscus aculeatus).
As comunidades vegetais mais evoluídas, como os carvalhais e os sardoais, possuem
normalmente maior diversidade florística que os matos que se instalam após a
sua destruição.
Existem espécies de plantas que no Parque apenas podem ser encontradas nestas
comunidades florestais. Por exemplo, a betónica bastarda (Melittis melissophyllum)
e a Festuca elegans são duas plantas associadas ao carvalhal.
De especial importância é a flora da Serra de Montesinho e da área compreendida
entre os rios Sabor e Tuela. Esta região, conjuntamente com a Serra de Nogueira,
corresponde à extremidade sul de um sistema montanhoso quase contínuo que se
inicia nos pirenéus e se prolonga até à vizinha Serra da Sanábria, em Espanha.
Ao longo deste sistema montanhoso, encontram-se várias espécies vegetais cuja
distribuição termina nesta região. Entre as espécies de plantas apenas assinaladas
para Portugal na Serra de Montesinho e áreas circundantes, podem-se citar as
violetas Viola parvula e Viola bubanii, a escrofulariácea Euphrasia hirtella
e a labiada Stachys sylvatica.
A flora mais original e importante do Parque encontra-se, contudo, nas denominadas
rochas ultrabásicas. Estas rochas de cor escura, por vezes esverdeada, originam
solos tóxicos para a maioria das plantas. Apesar do aspecto desolador da vegetação
nestes locais, aí vegetam espécies únicas no mundo (endémicas) como a cravina
(Dianthus laricifolius ssp. marizii, a Arenaria querioides ssp. fontiqueri e
o Seseli peixoteanum.
Outras plantas, apesar de não endémicas, apenas podem ser encontradas em Portugal
nestas rochas. Entre elas, o feto Cheilanthes marantae e a salgadeira (Allyssum
pintodasilvae), cujo nome científico foi dedicado ao botânico português A. R.
Pinto da Silva, grande estudioso da flora das rochas ultrabásicas do Nordeste
Transmontano. Esta última espécie, durante os meses de Junho e Julho, confere
uma intensa cor amarela aos pousios de cereais assentes em rochas ultrabásicas.
A conservação da flora no Parque Natural de Montesinho depende, em larga medida,
da preservação dos carvalhais, sardoais e bosques ripícolas bem como das comunidades
vegetais das áreas ultrabásicas. Para isso é necessário que os utentes deste
Parque tomem consciência de que muitas actividades humanas, como as arborizações,
as queimadas, o pisoteio, o pastoreio e a construção, quando excessivas e tecnicamente
inapropriadas, podem comprometer a conservação da flora.
Devem ainda ter-se em atenção que o arranque ou a destruição gratuita de plantas,
principalmente de bulbosas como os narcisos e as orquídeas, podem levar à extinção
destas espécies tão importantes para o nosso património natural.
A avifauna:
No Parque Natural de Montesinho estão inventariadas cerca de 150 espécies de aves, das quais mais de 100 espécies podem ser observadas durante a época de nidificação. Comparando com outras áreas ibéricas de montanha, este valor pode ser considerado elevado e é consequência da enorme diversidade de habitats existentes no Parque.
A Serra de Montesinho e a Serra da Coroa correspondem à extremidade sul de um sistema montanhoso quase contínuo que se inicia nos Pirenéus e se prolonga até à vizinha Serra de Sanábria, em Espanha. Deste modo, seria de esperar a presença na região de uma avifauna em tudo semelhante às serranias do norte espanhol. Na realidade, tal não acontece porque as serras portuguesas em causa não apresentam um andar alpino, cujas características são determinantes para a ocorrência de uma série de espécies.
Algumas aves particularmente vulneráveis apresentam, na área do Parque, importantes populações. Está confirmada a existência de quatro casais de Águia-real Aquila chrysaetos que constituem cerca de 10% da população nacional da espécie. A Águia-real nidifica em paredes rochosas e exige, como territórios de caça, vastas áreas pouco perturbadas pelo homem.
Podemos ainda referir o Tartaranhão-azul Circus cyaneus, uma ave de presa muito rara como nidificante em Portugal que possivelmente também cria nesta área. Destacam-se ainda a Cegonha-preta Ciconia nigra, com, pelo menos, um casal nidificante na zona oriental do Parque.
Muitas das espécies de aves existentes no parque apresentam uma distribuição muito localizada que se deve à especificidade das suas exigências ecológicas e à área relativamente restrita dos seus habitats. Um exemplo é a Petinha-ribeirinha Anthus spinoletta cujo único local de nidificação comprovada no nosso país se encontra no planalto da Serra de Montesinho.
Existem outras aves normalmente associadas às zonas de maior altitude e confinadas aos andares montano e altimontano que merecem ser mencionadas devido à sua escassez como nidificantes em portugal. A Peninha-das-árvores Anthus trivialis, Melro-das-rochas Monticola saxatilis, o Tordo-comum Turdus philomelos, o Picanço-de-dorso-vermelho Lanius collurio e o Dom-fafe Pyrrhula pyrrhula são exemplos deste grupo de espécies e comprovam a importância da avifauna do Parque em termos de conservação.
Outras espécies caracterizam-se por uma maior abundância e versatilidade ecológica. Uma delas é a Águia-caçadeira Circus pygargus, ave característica de matos e culturas cerealíferas, cujas populações têm, no entanto, regredido seriamente nos últimos anos. Outros exemplos são a mítica Cegonha-branca Ciconia ciconia, o melódico Mocho-pequeno-de-orelhas Otus scops, a Felosa-carrasqueira Sylvia cantillans, associada a matos e arbustos e a Felosa-de-Bonelli Phylloscopus bonelli, confinada a zonas florestais.
Em suma, no domínio da ornitologia, o Parque apresenta importantes valores naturais que urge preservar e conservar. As aves são sentinelas do uso da terra por parte do homem, devendo ser equacionadas num plano de desenvolvimento sustentável dos recursos da terra.
Os mamíferos:
O Parque Natural de Montesinho possui uma diversidade animal muito significativa a nível nacional e europeu. A classe dos mamíferos está aqui representada por 41 espécies, cerca de 70% dos mamíferos terrestres que ocorrem em Portugal. Este valor corresponde a 26% de todas as espécies existentes no continente europeu. Muitas das espécies presentes no Parque Natural de Montesinho encontram-se ameaçadas na Europa ou estão mesmo extintas nos seus países.
Insectívoros:
Pequenos mamíferos de focinho longo e afilado e dentes muito pontiagudos. Alimentam-se de insectos e outros invertebrados. Incluem este grupo as toupeiras, o Ouriço-cacheiro e os musaranhos. Existem no Parque Natural 7 espécies de insectívoros. A Toupeira-de-água, endemismo ibérico, é a espécie mais ameaçada (vulnerável).
Quirópteros:
Mamíferos voadores de pequeno porte e hábitos nocturnos. Habitam grutas, pontes
e outras construções. Todos os morcegos europeus se alimentam de insectos. No
Parque Natural de Montesinho das 7 espécies presentes 4 encontram-se em perigo
de extinção em Portugal: Morcego-de-ferradura-grande, Morcego-de-ferradura-pequeno,
Morcego-rato-grande e Morcego-rato-pequeno.
Roedores:
De pequeno porte , possuem dentes incisivos de crescimento contínuo. Alimentam-se
de sementes e outras partes de plantas. Incluem-se o Esquilo, os ratos e as
ratazanas. No Parque ocorrem 10 espécies. A presença do Esquilo é recente, acompanhando
a colonização verificada nos últimos anos no Norte de Portugal. Esta espécie
é rara em Portugal. As restantes espécies são insuficientemente conhecidas.
Os roedores são a base da alimentação de muitos dos carnívoros.
Artiodáctilos:
Geralmente de porte médio-grande tem apenas dois dedos funcionais e cobertos
por cascos. Encontram-se no Parque Natural de Montesinho o javali, o veado e
o corço. O veado e o corço ocupam o mesmo território, situação única em Portugal.
O javali, após o grande crescimento que apresentou nos últimos anos, parece
estar agora em declínio.
Lagomorfos:
Herbívoros de pequena-moderada dimensão, com orelhas longas e cauda curta. Possuem
incisivos de crescimento contínuo. Os coelhos e as lebres formam este grupo.
A caça tem reduzido nos últimos anos as suas populações , sobretudo as da lebre.
Carnívoros:
Têm dimensão e hábitos muito diferenciados, sendo geralmente predadores. Incluem-se
as espécies mais perseguidas pelo homem, e por isso mais ameaçadas. No Parque
existem 12 espécies de carnívoros, 11 nativas e uma introduzida, a geneta (58%
das espécies europeias indígenas). O Lobo-ibérico e o Lince-ibérico encontram-se
em perigo de extinção. A primeira espécie encontra-se porém no Parque em relativa
abundância e estabilidade. Outros carnívoros também ameaçados como o Arminho,
o Toirão, a Marta, a Lontra, e o Gato-bravo podem igualmente encontrar-se nesta
Área Protegida.
Estes animais podem sobreviver no território do Parque Natural porque no seu
interior existem boas condições de alimentação e abrigo e ainda porque a perturbação
humana é reduzida. No entanto, existem ameaças reais para os mamíferos deste
Parque que podem comprometer a conservação destas espécies no futuro. Só a tomada
de consciência pela população do elevado valor que a fauna do Parque Natural
de Montesinho tem no país e na Europa pode contribuir para levar a bom termo
a sua Conservação.
No Parque Natural de Montesinho é possível fazer alguns percursos pedestres e de bicicleta e observar lindas paisagens em qualquer época do ano. Essa beleza de paisagem deve-se, em grande parte, à morfologia do terreno e ao tipo de vegetação que aí existe. O Carvalho-negral, o Castanheiro, a Azinheira o Pinheiro silvestre, o Teixo, o Amieiro, o Freixo, o Choupo, e o Vidoeiro são algumas das árvores responsáveis pelo festival de cores que se podem observar e que muda de acordo com a época do ano. Podes também ter a sorte de poder observar algumas aves como a Águia-real, o Bufo-real, o Tartaranhão azul, o Falcão peregrino, o Melro-das-rochas, o Melro d' água e o Chapim, assim como alguns mamíferos como a Toupeira-aquática, o Lobo, a Raposa, o Veado, a Lontra e o Javali. Mais próximo dos cursos de água podes encontrar o Sapo-parteiro e o Lagarto-de-água.
Aspectos Gerais do Parque Natural de Montesinho (Fotos de Paulo Mafra)
Quem disponha de pouco tempo para uma visita poderá utilizar os
parques de merendas instalados em lugares de paisagem atraente, preparados para
gozar umas horas de descanso com a família, e onde poderá também, se desejar,
grelhar umas saborosas alheiras, ou um pouco de delicioso cordeiro ou uma suculenta
posta de vitela Mirandesa - a tradicional Gastronomia do Nordeste Transmontano.
Se dispuser de mais tempo, as instalações hoteleiras de Bragança e Vinhais,
o parque municipal de campismo de Bragança ou, mediante marcação, as casas-abrigo
do Parque Natural de Montesinho poderão servir como ponto de partida para qualquer
roteiro pretendido.
Caso escolha uma forma mais desportiva de conhecer o Parque Natural de Montesinho,
de bicicleta ou de mochila às costas, sugerimos que percorra os “caminhos velhos”,
as azinhagas e atalhos que ligam as aldeias entre si, ou - porque não? - ir
à descoberta dos “Caminhos de Santiago”, por onde há séculos passavam os peregrinos
em demanda de Santiago de Compostela!
O Parque Natural de Montesinho possui um rico património sócio-cultural com
práticas quotidianas vindas de usos e costumes ancestrais, embora já marcadas
pela crescente mobilidade das gentes e pelas inovações tecnológicas. Por isso
os serviços do Parque Natural de Montesinho lhe dedicam particular atenção,
não na miragem de algo a preservar a todo o custo, mas sim apostando na sua
conservação dinâmica face ao futuro. As festas são o elo de ligação dos povos,
o pretexto para o reencontro que cada ano se repete, entre famílias, amigos
e aldeias.
Têm especial valor as antiquíssimas “Festas dos Rapazes”, realizadas principalmente
na zona da Lombada (Babe, S. Julião, Deilão) por altura do Natal e dos Reis,
segundo o costume de cada aldeia. Nesses dias, nalgumas aldeias, os rapazes
solteiros de mais de 16 anos envergam coloridos fatos felpudos que os escondem
da cabeça aos pés, afivelam máscaras aterradoras em latão pintado, madeira ou
outros materiais e, com molhos de chocalhos à cintura, correm a cabriolar por
toda a aldeia em tremenda algazarra, ritualizando cerimónias de iniciação, cuja
origem, no parecer do abade de Baçal, remonta aos romanos veneradores de Saturno.
Outra das facetas da cultura regional é a música tradicional. Velhos temas joviais
continuam a ser tocados nas alvoradas das festas, onde se destacam as sonoridades
celtas da gaita de foles. São notáveis ainda os exemplos de arquitectura popular,
que utilizando os materiais característicos de cada região, resultam de milhares
de anos de aperfeiçoamento e adaptação ao meio ambiente. Há também aspectos
exclusivamente funcionais na arquitectura popular dignos de destaque: referimo-nos
aos pombais e aos moinhos de água. Parte destes últimos são propriedade comum
dos povos ou aldeias, e continuam ainda a funcionar, com apoio do Parque nas
obras de conservação e reconstrução.
Na integração da actividade humana com o seu meio é de realçar o papel que o
“homem rural” tem vindo a desempenhar na modelação da paisagem. Por essa razão
nem sempre é simples fazer uma separação nítida entre as actividades do homem
e os recursos naturais, que aqui se encontram estreitamente relacionados.
Com efeito, um dos objectivos do Parque Natural de Montesinho consiste na animação
regional, intervindo em áreas tão diversas como a actividade florestal, a comercialização
de produtos caseiros, a habitação tradicional, o artesanato local ou o recreio
e turismo como formas de assegurar às populações novas fontes de receitas, tendo
em vista o desenvolvimento sustentado dos seus recursos, no respeito da evolução
equilibrada da vida das comunidades e da paisagem.
Tem sido ainda objectivo do Parque encorajar o turismo através do incentivo
ao turismo rural e ao artesanato, bem como a criação de infra-estruturas de
acolhimento (Centro Hípico, Parques de Merendas e Casas-Abrigo) e a valorização
e relançamento da gastronomia e da arquitectura tradicional.
Neste âmbito destaca-se o fumeiro tradicional, com feiras anuais em Vinhais,
ou a apicultura; o apoio à agropecuária, promovendo a conservação de raças autóctones
(ovino Churro Galego-Bragançano, bovino Mirandês), também através de exposições/concursos
anuais em Bragança e Vinhais; a recuperação das extensas florestas de carvalhos
e castanheiros visando o seu uso múltiplo no espaço e no tempo assim como a
tomada de medidas anti-fogo e anti-erosão.
Informação fornecida pelo Parque Natural de Montesinho e recolhida
da colecção "Património Natural Transmontano" da João Azevedo Editor
- Mirandela 1998. Pode encontrar mais informação aqui.
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